Adão Lopes

Todo empresário terá uma equipe de agentes digitais

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Adão Lopes

26 Set 2026 · 4 min de leitura

Todo empresário terá uma equipe de agentes digitais

A próxima transformação das empresas não será contratar mais software. Será aprender a liderar pessoas e agentes inteligentes trabalhando juntos.

Durante muito tempo, crescer uma empresa significava aumentar a estrutura. Mais clientes exigiam mais pessoas, mais departamentos, mais sistemas e, consequentemente, mais complexidade. A inteligência artificial começa a mudar essa lógica. Estamos entrando em uma fase na qual parte importante da capacidade operacional de uma empresa poderá crescer por meio de agentes digitais. Ontem, durante um almoço com meu amigo e cliente Jorge, da Technotribo, eu tentava explicar a ele como acredito que será o futuro das empresas.

Um agente digital é diferente da inteligência artificial que apenas responde a uma pergunta. Ele pode receber um objetivo, acessar informações, consultar sistemas, executar determinadas tarefas, acompanhar resultados e acionar outras ferramentas ou agentes. Em vez de simplesmente dizer ao empresário o que deveria ser feito, começa a participar da execução.

Imagine uma empresa com agentes especializados. Um agente acompanha oportunidades comerciais. Outro prepara informações para reuniões. Outro analisa contratos e documentos. Outro acompanha indicadores financeiros. Outro observa clientes que precisam de atenção. Outro consulta pedidos, documentos fiscais ou entregas. Cada um atuando dentro de permissões, regras e limites definidos pela organização.

O empresário continuará tendo colaboradores, líderes e especialistas. Mas, ao lado deles, surgirá uma nova camada de capacidade operacional. Pessoas estarão responsáveis por decisões, relacionamentos, criatividade, julgamento e liderança. Agentes digitais executarão grande parte das tarefas repetitivas, das consultas, dos cruzamentos de informações e de determinados processos operacionais. A discussão, portanto, não deveria ser simplesmente sobre substituir pessoas. Deveria ser sobre multiplicar a capacidade das pessoas. Também acredito que teremos cada vez mais sócios e pessoas com mentalidade de dono, em vez de apenas colaboradores. Mas esse é assunto para outro artigo.

Isso também mudará o papel do empresário. Hoje administramos pessoas, processos, sistemas e indicadores. Amanhã precisaremos aprender a organizar também uma força de trabalho digital. Será necessário definir objetivos, níveis de autonomia, permissões, segurança, responsabilidades e mecanismos de supervisão. Liderar agentes digitais será uma nova competência de gestão.

É exatamente por isso que venho defendendo que os LLMs foram apenas o começo. Conversar com uma inteligência artificial é extraordinário, mas o verdadeiro impacto empresarial acontecerá quando essa inteligência estiver conectada aos sistemas e autorizada a executar processos. É nesse ponto que conceitos como agentes de IA e OaaS — Outcome as a Service começam a fazer sentido: empresas deixarão de contratar apenas software e passarão, em determinados casos, a contratar resultados.

Na VARITUS, é nessa direção que estamos olhando. Não queremos pensar a inteligência artificial apenas como uma funcionalidade adicionada às plataformas. Queremos entender como agentes poderão participar dos processos fiscais, documentais e operacionais dos nossos clientes, sempre com governança, segurança, rastreabilidade e controle. Imagine um empresário dirigindo seu carro e solicitando uma operação em linguagem natural. Uma cadeia de agentes poderá interpretar o pedido, validar informações, consultar sistemas e executar aquilo que hoje exige diversas etapas manuais. Em vez de uma pessoa precisar ligar ou enviar uma mensagem para você, um agente poderá fazer isso.

Mas existe um ponto importante: quanto maior a autonomia dos agentes, maior deverá ser a governança. Identidade, permissões, logs, auditoria, segurança da informação e definição clara de responsabilidades se tornarão ainda mais relevantes. Dar poder de execução a uma inteligência artificial exige muito mais disciplina do que simplesmente utilizar um chatbot. A ISO27001 é importante neste contexto.

Talvez, daqui a alguns anos, a pergunta entre empresários não seja mais: “Quantas pessoas trabalham na sua empresa?” Talvez passe a ser: “Quantas pessoas e quantos agentes trabalham na sua operação?” Minha convicção é que praticamente todo empresário terá uma equipe de agentes digitais. A vantagem não estará apenas em possuir esses agentes, porque eles estarão disponíveis para todos. A diferença estará na capacidade de integrá-los aos processos, liderá-los com inteligência e fazer pessoas e tecnologia produzirem resultados que nenhuma das duas conseguiria alcançar sozinha. É para esse momento da história empresarial e humana que tenho preparado a minha equipe: para apoiar empresários que também tenham essa ambição.