Adão Lopes

Sua empresa está preparada para trabalhar com agentes?

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Adão Lopes

28 Set 2026 · 4 min de leitura

Sua empresa está preparada para trabalhar com agentes?

Antes de contratar agentes digitais, talvez sua empresa precise organizar processos, dados, acessos e responsabilidades.

Nos últimos dias, tenho refletido muito sobre a próxima etapa da inteligência artificial nas empresas, principalmente nas minhas empresas. Já não estamos falando apenas de ferramentas que escrevem textos, respondem perguntas ou ajudam em análises. Estamos entrando na era dos agentes digitais: inteligências capazes de receber objetivos, consultar informações, acessar sistemas, executar tarefas e participar efetivamente da operação. Mas existe uma pergunta que talvez seja ainda mais importante do que saber quais agentes utilizar: sua empresa está preparada para trabalhar com eles?

Muitas organizações querem colocar inteligência artificial sobre processos que ainda são desorganizados. Existem informações espalhadas em planilhas, decisões que dependem exclusivamente de determinadas pessoas, processos sem documentação, sistemas que não conversam entre si e acessos concedidos sem critérios claros. Quando colocamos um agente sobre esse ambiente, não necessariamente criamos eficiência. Podemos apenas automatizar a desorganização.

Agentes precisam de contexto. Para executar bem uma tarefa, precisam saber onde estão as informações, quais regras devem seguir, quais sistemas podem acessar, quais decisões podem tomar e em quais situações precisam solicitar autorização humana. Isso significa que a implementação de agentes digitais começa muito antes da tecnologia. Começa pela compreensão dos processos da empresa.

Existe também uma questão fundamental: os dados. Durante anos, ouvimos que dados seriam o novo petróleo. Com a chegada dos agentes, essa afirmação ganha outra dimensão. Dados deixam de servir apenas para gerar relatórios e passam a alimentar decisões e ações automatizadas. Se as informações estão incorretas, duplicadas, desatualizadas ou sem governança, o agente trabalhará sobre uma realidade que não existe.

Segurança será outro ponto crítico. Um agente capaz de acessar sistemas, documentos, contratos, informações fiscais ou financeiras precisa operar dentro de limites muito bem definidos. Quem autorizou aquele acesso? Quais informações ele pode consultar? Quais operações pode executar? Existe rastreabilidade de tudo aquilo que fez? Na economia dos agentes, identidade, permissões, logs e governança deixarão de ser apenas assuntos da área de tecnologia. A certificação ISO 27001, que conquistamos há alguns anos na VARITUS, poderá se tornar ainda mais valiosa neste novo cenário.

Outro desafio será definir o limite entre autonomia e supervisão. Nem toda decisão deve ser tomada automaticamente. Algumas atividades poderão ser executadas integralmente por agentes. Outras precisarão de aprovação humana. E determinadas decisões continuarão exigindo julgamento, responsabilidade e experiência das pessoas. Empresas maduras aprenderão a construir esse equilíbrio: máquinas executando cada vez mais, pessoas decidindo cada vez melhor.

Isso também muda o papel da liderança. O gestor do futuro não administrará apenas equipes humanas. Precisará compreender como organizar uma estrutura composta por pessoas, softwares e agentes digitais. Terá que estabelecer objetivos, definir responsabilidades, acompanhar indicadores e avaliar resultados, independentemente de quem, ou do que, realizou determinada tarefa. Liderar agentes será uma nova competência administrativa.

Na VARITUS, estamos olhando para essa transformação imaginando nossos próprios produtos deixando de ser apenas plataformas que os usuários operam para se tornarem estruturas capazes de participar da operação. É uma mudança importante de mentalidade: sair do software que espera comandos para construir tecnologia que entende contexto, executa processos e entrega resultados. É nessa direção que conceitos como agentes e OaaS — Outcome as a Service — começam a ganhar importância.

Por isso, talvez a pergunta para o empresário neste momento não seja apenas: “Onde posso usar inteligência artificial?” A pergunta mais estratégica pode ser outra: “Se amanhã eu tivesse dez agentes digitais disponíveis para trabalhar na minha empresa, meus processos, dados, sistemas, segurança e líderes estariam preparados para utilizá-los?” A próxima vantagem competitiva pode não estar apenas em ter acesso à inteligência artificial. Estará em construir uma empresa preparada para trabalhar com ela.